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O Início Local e Regional da Mastruz com Leite

Turnê - Só Na Pisada do Cacau*

O forró eletrônico, como vem sendo denominado desde a sua origem, década de 90, está associado ao autêntico forró tradicional, tendo em vista que este permaneceu na mídia até 1990, antes da morte de Luiz Gonzaga em 1991 (SILVA, 2003, p. 112).

Com a morte de importantes forrozeiros tradicionais – Lindu, do Trio Nordestino; Jackson do Pandeiro; Luiz Gonzaga – o forró ficou desaparecido da mídia completamente. Paralelo a isso, os veículos de comunicação divulgavam exaustiva mente a música sertaneja.

Diante disso, é possível compreendermos que um dos fatores da origem desse novo forró está ligado à morte do principal líder do gênero tradicional: Luiz Gonzaga. Segundo Leandro Expedito Silva (2003, p. 113) como houve uma exclusão do forró tradicional por parte da mídia, a saída foi reorganizar o estilo tradicional, utilizando o critério tecnológico publicitário, que inovou o antigo produto e recriou-o através da lógica do mercado, explorando e estimulando a atenção do consumidor.

O novo forró foi criado a partir do forró tradicional, mas incorporando conceitos de outros gêneros musicais (axé music, música sertaneja e pagode):

As bandas desse forró pós-moderno surgiram com a maquiagem do romantismo brega e o apelo sensual. Elas foram incorporando em seu repertório tanto atributos da música romântica, quanto letras satirizando alguns personagens do cotidiano e regravações de músicas de artistas tradicionais com ritmo e arranjos atuais (SILVA, 2003, p. 113).
Nessa situação, houve uma mudança na maneira de ver o forró. O empresário cearense, Emanoel Gurgel, lançou a banda Mastruz com Leite, colocando no palco dançarinas atraentes, instrumentos eletrônicos, arranjos modernos, seguindo as tendências do que se ouvia no rádio e em outros meios de comunicação, além de fazer uma divulgação maciça (SILVA, 2003, p. 114).  Eis que surge como estratégia da indústria cultural regional o forró eletrônico difundido pela mídia: o rádio.


Pouco lembrada pelo público forrozeiro acostumado a vivenciar os momentos de gloria, esse foi o primeiro degrau para o reconhecimento e a amostra do que viria a ser o Forró Mastruz com Leite.

Depois do sucesso no Mangueira Clube, casa de eventos onde foi realizado o primeiro show, a banda tornou o desejo e reconhecimento do povo local em ter um grupo musical que tocasse exclusivamente o forró, e assim institivamente ajudaram a moldar o forró que a Mastruz com Leite construiu até os dias de hoje.

Sucessos de ícones como Luiz Gonzaga, Sivuca, Marinês, Trio Nordestino, Genival Lacerda e outros grandes nomes da nossa cultura nordestina, sem esquecer-se da ousadia em tocar grandes sucessos internacionais e do bolero que estavam em evidência, ambos ajudaram a enriqueceram os caminhos dela na busca de novas conquistas Nordeste à fora.

Para o antigo flog (www.mastruz.myflog.com.br), criado por fãs da banda Mastruz com Leite, a empresa Somzoom Sat é “um fenômeno midiático e cultural que nasceu no Nordeste do Brasil”. A fórmula da visibilidade enquanto grupo de mídia – criado na década de 90, em Fortaleza - (CE) – e cultural está nos seguintes pontos:

Mastruz com Leite – precursora – cujos instrumentos, além dos tradicionais, inserem-se o saxofone, guitarra, órgão, bateria, baixo, e cuja produção cultural e difusão também passou pelos moldes da fonografia, do rádio via satélite, dos shows, dos CDs, DVDs, publicidades, portais de Internet (blog, flog, comunidades no Orkut, páginas na web, Facebook, Instagram e afins), são manifestações que acontecem em épocas diferentes e sob tecnologias evolutivas.


Mastruz com Leite em Groaíras em 08 de outubro de 1991.

No começo da carreira do Mastruz com Leite as pessoas do Nordeste, acostumadas ao forró tradicional, criticavam muito o novo estilo da banda. Muitos diziam que: “os músicos, os artistas iriam morrer de fome tocando forró” (SILVEIRA, 2003, p. 56). Mas, as músicas e performances dos artistas, dançando forró, atreladas ao marketing, divulgação na Somzoom, sendo tocadas nas afiliadas espalhadas pelo Brasil afora, fizeram com que Mastruz com Leite ganhasse o sucesso e notoriedade na mídia nacional:

“(...) O Emanoel acreditava muito na Banda e dizia que ninguém ligasse para as críticas; que um dia, eles iam ver a gente lá nos ‘Programas do Sul’: na Xuxa, no Faustão (SILVEIRA, 2003, p. 56)”. Para Emanoel Gurgel, dono da banda Mastruz com Leite, “a receita do sucesso foi unir um bom repertório (GURGEL, 2003, p. 56)”.

Contudo sabemos que o forró inovador, Mastruz com Leite, representou o desenvolvimento e o surgimento de novos produtos regionais da indústria cultural do Nordeste, atrelados a um grupo de mídia que pretendia se consolidar através de uma programação radiofônica regional, via satélite, para todo o Brasil, inclusive, revistas, CDs e shows:

(...) Para mim, o Mastruz é a ideia de um nordestino que pensou num negócio há 11 anos, todo mundo disse que ele era maluco e o negócio deu certo. O nordestino era eu. No dia em que eu reuni o Mastruz, pela primeira vez, e disse que queria montar uma Banda que tocasse forró, todo mundo riu na minha cara. Aí quando o Mastruz voltou do Programa do Faustão, eu Grifo nosso. fui ao aeroporto esperá-los e disse: - ‘olhe, aquela risada, vocês estão me devendo agora’ (GURGEL, 2002, p. 56).
Assim, com o surgimento da banda Mastruz com Leite, cujo objetivo foi em apresentar uma nova estética para o forró tradicional e como uma evolução do próprio forró; comercial: a partir da perspectiva da música- mercadoria enquanto produto de consumo; pioneirismo, depois dela, surgiram outras bandas que começaram compor a indústria cultural regional.

*Nome dado genericamente por nós, pois esse foi um dos primeiros bordões usados pelos músicos da banda e não era uma turnê propriamente dita.

Fonte: "A Produção E Circulação De Conteúdo Na Mídia Regional: O Caso Da Rede Somzoom Sat" e "Somzoom Sat: do local ao global".