MASTRUZEIROS, CONHEÇAM LAÍS E LUIZA
Os fãs do Forró Mastruz com Leite têm a obrigação de conhecer Laís e Luiza
Anos atrás eu ficava ouriçado em poder deitar no sofá da sala para ligar a TV e mesmo com a famosa chiadeira da antena, era quase um sonho ver a transmissão dos shows no período junino. Ficávamos eu e minha mãe madrugada adentro assistindo àquelas apresentações. Era um máximo quando vinham os links das cidades do interior. Comparado a hoje, era algo meio rudimentar, apesar disso foi um marco para atualmente poder simplesmente abrir um aplicativo na TV e ver qualquer evento dessa época de modo ao vivo.
Independente da atual fase dos áudios cada vez melhores e das imagens em alta resolução, qualquer pessoa com mais de trinta ou àquela de bom senso musical sabe o quanto a qualidade musicalizada do forró só vem piorando. Isso não é uma opinião, é um fato científico como explicitei no artigo anterior.
Leia aqui Sim, A música Piorou e a Ciência Explica
Desde o pós pandemia, as transmissões dos eventos juninos mantiveram o mesmo sentimento aqui em casa: reunir-me com familiares para assistir os shows, contudo, diferentemente da época da TV com antena e bombril, não conseguimos passar mais horas na frente do televisor. Com as raras exceções, ver as apresentações tornou-se seletivo, pois cá para nós, é muita gente ruim e de baixa qualidade, tão inferiores que a melhor coisa a fazer é colocar o bom baião para se ouvir e desligar a smart tv.
Além disso, bem sabemos o quanto os eventos públicos estão cada vez mais amarrados as iniciativas privadas, onde injetam capital através de amarras de interesses artísticos ligadas a elas, quer seja por patrocínios, escritórios, campanhas publicitárias, quer seja por capitanear a massa mediante uma inverdade: que o São João é uma festival para todos os ritmos. Do axé, samba, pagode, "sertanejo" até a música eletrônica passaram a fazer parte das programações juninas, excluindo artistas genuinamente forrozeiros, quando não colocando-os numa espécie de sub-palco, longe da multidão. Seria o mesmo do convidado entrar em sua casa e dormir em sua cama para você deitar no tapete da sala.
Entre diversos dissabores e a desistência cada vez mais forte em fazer o login da minha conta para abrir uma transmissão das famigeradas transmissões juninas, eis a felicidade de no ano passado (2024) ver um fio de esperança surgiu diante dos meus olhos. Se apresentava em Campina Grande para um público quantitativamente pequeno, mas qualitativamente imenso em cultura, duas jovens - jovenzinhas mesmo - de nome Laís e Luiza. Apreciei e guardei. Fiquei calado. Aos do meu ciclo, dividi à descoberta (para mim). Mais de um ano se passou desde aquela apresentação e nada vi. Evidente, a minha crença por parte do controle digital sobre a massa fazendo-a consumir aquilo colocado como "do bom", acaba escondendo a verdadeira qualidade e potencialidade artística, visto assim por mim com a Laís e Luiza.
Para quem já leu sobre a luta de pilares como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês e sua Gente, Dominguinhos, Trio Nordestino, Abdias, Pedro Sertanejo e tantos outros da tradicional música nordestina, ver surgiu uma dupla como elas é crer na sustentação daquilo que chamamos de forró. Ouvir Laís e Luiza é encontrar um oásis nesse mundo cada vez mais escuro e sem cores, quadrado e sem flores e por pior ainda dizer, sem arte musicada.
Aproveito para indicar aos fãs do Mastruz com Leite. Conheçam os trabalhos das meninas. Garanto que vocês irão gostar. Como as linhas aqui são infinitas, aproveito e deixo a provocação para os responsáveis da banda mãe quem sabe um dia fazer um convite para elas cantarem algo em conjunto, algo ruim disso eu duvido que sairá.
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